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Divergências marcam reunião entre Procon e Odebrecht

Divergências marcam reunião entre Procon e Odebrecht

Em reunião com dedos apontados, vozes alteradas e constantes interrupções de fala, a polêmica envolvendo a multa aplicada pelo Instituto de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon/MA) à Odebrecht  Ambiental por conta dos serviços de fornecimento de água destinados aos moradores das cidades de Paço do Lumiar, São José de Ribamar e Raposa ganhou mais um capítulo, apimentado pela inclusão da Raposa na lista das cidades onde conforme entendimento  do Procon a empresa também oferece água imprópria para o consumo.

Ao comentar sobre a qualidade da água fornecida pela empresa aos consumidores, o presidente do Procon, Duarte Júnior fez comparações irônicas a respeito da cor do água recebida pelos moradores  das cidades atendidas pela empresa.  “Um dos pontos mais importantes é em relação à qualidade da água. É assim que a água chega à população, algumas parecem até Coca-Cola, ou suco de buriti, avermelhada. E o consumidor está pagando 10 vezes mais por isso. Eu não trabalho na Vigilância Sanitária e acredito que não preciso de um laudo para dizer se há conformidade técnica ou não pra isso”, ressaltou.

O Diretor de Concessão da Odebrecht Ambiental, Helder Dantas, garantiu que é uma prática da Odebrecht fazer análises da qualidade da água fornecida. E acrescentou “Quando queremos uma avaliação de um laudo independente, buscamos isso na Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Em relação às avaliações que foram feitas pela vigilância sanitária, o que questionamos é que a gente não acompanhou essas análises, mas fizemos avaliações nos mesmos locais apontados, e todos os resultados das nossas amostras foram positivos. Fica o desalinhamento entre o resultado de um e o resultado de outra”, argumentou.

A reunião contou ainda com a presença e os questionamentos do prefeito recém-empossado de Paço do Lumiar, Domingos Dutra(PC do B), e o Secretário de Obras de São José de Ribamar, Glauber Garreto. Em Paço do Lumiar, o descontentamento da nova gestão com a empresa é tão evidente que Dutra chegou a anunciar, diversas vezes, que ‘não será mais possível manter a empresa no local’ e aconselhou o diretor da concessionária a preparar uma forma de rompimento amigável.

Um dos pontos mais  controversos da reunião foi  a aplicação da multa em relação ao município da Raposa .  Helder Dantas enfatizou  que a Odebrecht Ambiental nem poderia atuar na área, uma vez que nem tem autorização para isso.  Duarte Júnior alegou que por conta da indefinição dos limites do  município , existem endereços na Raposa que recebem contas da empresa e portanto deve cobrar da Odebrecht pela má qualidade da água que chega a estes locais.

Ao final da reunião, marcada por um dilúvio  de divergências e pela escassez de consensos, Duarte Junior disse que a paciência já tinha esgotado em relação a empresa e garantiu que o Procon vai encaminhar medidas judiciais sobre o caso. Enquanto o diretor da Odrebrecht alegou que ainda cabe recurso administrativo das decisões do Procon e que a empresa pretende contestar todas as alegações feitas pelo órgão.