Home Maranhão São Luís Mais de 260 casos de estupro foram registrados em 2016

Mais de 260 casos de estupro foram registrados em 2016

Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP/MA), os casos de estupro registrados na Grande São Luís passaram por uma redução de 37% nas ocorrências em 2016, com 261 casos recebidos, em relação ao número referente a dois anos antes, em 2014, quando foram registrados 414 casos. No comparativo entre 2015 e 2016 a redução foi de 21%.

As vítimas, ao procurarem a Delegacia da Mulher, recebem um atendimento especializado e encaminhamento aos órgãos de referência. Formalizada a denúncia, a mulher é ouvida pela delegada e além do depoimento é feito retrato falado do agressor, quando há essa possibilidade; atendida por psicólogo, assistente social e advogado; realização de exames corpo delito e conjunção carnal; e atendimento na rede de saúde de referência. A partir daí, prossegue a investigação que vai culminar na prisão do agressor. Por lei, o estupro é crime hediondo e a pena pode variar de seis anos a 30 anos, dependendo do agravante.

Não há um perfil de estuprador, mas de comportamento criminoso, ressalta a delegada titular da Mulher, Kazumi Tanaka, e esta violência pode ser cometida também por companheiros ou ex-companheiros que não aceitam o fim do relacionamento ou acreditam ter direito sobre a mulher. Quando confrontados, os autores negam. A confissão se dá quando provas contundentes inviabilizam a negação. Em ambos os casos, os registros demonstram que o agressor não evidencia arrependimento pelo crime cometido. “Os autores acreditam que não serão descobertos e punidos”, enfatiza Kazumi Tanaka.

Kazumi destacou a necessidade da mudança de comportamento que deve ser trabalhada na sociedade, que ainda age de forma preconceituosa culpando a vítima e não o agressor pelo estupro. “É preciso se libertar desse pensamento machista, que está em homens e mulheres, que ditam a limitação da liberdade da mulher em nome de uma falsa moral. Hoje, casos amplamente divulgados na mídia trouxeram esse tema à discussão fazendo com que se repense esse crime e a discriminação contra a mulher”, ressalta.

Por questões de segurança, a delegada orienta que a mulher evite andar por locais muito desertos e escuros, evitar ruas com pouco movimento de pessoas e informar sua localização para facilitar auxílio em caso de emergência. Além de mulheres, outras vítimas de estupro registradas na delegacia são idosos e pessoas com deficiência. Assim como quando praticados contra adolescentes e crianças, o crime de estupro nesses outros casos implica em agravante, que aumenta a pena.

Os atendimentos dos casos de estupro são realizados na Delegacia da Mulher e na Casa de Referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência, localizadas na Beira Mar; e na rede de saúde referenciada – Hospital da Mulher (Anjo da Guarda), Maternidade Marly Sarney (Cohab) e Hospital Materno Infantil (Centro).