Como irá se comportar a imprensa no governo Bolsonaro?

O governo Bolsonaro já disse a que veio. Até que não foi surpreendente, apesar de haver quem imaginasse que os discursos de campanha fossem só retórica eleitoral. As primeiras medidas e discursos foram claros. “Acabar com o socialismo no Brasil”, “nossa bandeira nunca será vermelha”, continuam sendo a ordem unida do governo militar. Parece claro que será sempre assim, uma busca constante pelo inimigo vermelho, pra justificar ações de cerceamento de liberdades e direitos humanos. Mas, e a imprensa, sempre ativa nos governos petistas, como vai se comportar?

A esquerda é, obviamente, inimiga da grande mídia, ou vice-versa. Nos governos petistas foi impiedosa, ainda que recebesse verbas milionárias destes. O cala boca tem limites. E aqui é importante destacar que não houve o investimento esperado em formas alternativas de comunicação nos governos Lula e Dilma. Curvaram-se à força da Globo por puro encanto ou por não poderem se sair?

Na campanha, também obviamente, a grande imprensa tinha lado e não era o da esquerda. Tampouco foi isenta, como historicamente jamais foi. Independente, seria sonho. Ainda que os Bolsonaro e sua turba fossem para o ataque contra a Globo, num claro contraponto exigido pela TV Record, da Igreja Universal, que deve ser o órgão extra-oficial do governo, não houve isonomia.

Parênteses. O governo militar, como em quase tudo até agora, aponta para diversos lados. Alguns ministros da caserna foram até mais receptivos que o próprio presidente ao lidar com jornalistas. Este, confiando na força de suas redes sociais, esnoba a grande mídia. Parece não ter entendido que a campanha acabou e que as cobranças doravante terão grande repercussão. É o presidente, responsável final pela assinatura de tudo o que seu governo pode fazer ou desfazer. Na campanha, as tais fake news receberam investimentos milionários, havia um comando para espalhar as notícias falsas. E agora, como isso irá ser feito?

Na cobertura da posse, o governo Bolsonaro errou feio. Impediu que os jornalistas circulassem, cerceando claramente a liberdade de imprensa nacional e internacional. Boa parte desses jornalistas, diga-se, faz parte dos grande veículos que apoiaram a eleição do seu governo. Facada nas costas? E qual a repercussão? Continuará, a maioria, fazendo a pauta positiva para defender as verbas publicitárias dos veículos? Mesmo humilhados, farão cobertura mais independente do governo? Ainda que claramente cerceados, sentindo na pele a força de um governo de extrema-direita, irão seguir sem debater a pauta realmente relevante, investigando, denunciando?

Foto: Cristiane Sampaio, do Brasil de Fato.

 

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