Depoimento de advogado que acompanhava Bardal durou mais de três horas

O advogado que acompanhava o delegado Tiago Bardal no momento em que foi abordado durante operação na comunidade Arraial, no Quebra Pote, se apresentou na Superintendência de Combate à Corrupção (Seccor) na última terça-feira (27). Identificado como Ricardo Jefferson Muniz, o advogado é filho de desembargador aposentado prestou depoimento na Superintendência hoje.

Ele foi ouvido por cinco delegados e quatro promotores e o depoimento durou mais de 3 horas. Segundo Jefferson Portela, a versão do advogado contradiz a do delegado Tiago Bardal. “Nós temos um delegado que não estava sob investigação, até porque segundo o delegado, estaria de operação sobre tal fato, apurado em relação aos que foram presos. E ele aqui dá uma outra versão, de que o seu cliente falaria algo sobre drogas, mas que esse cliente não poderia aparecer, por ser de alta periculosidade, então já é uma nova versão sobre a presença do delegado naquela área”, aponta.

O delegado Tiago Bardal, ex-superintendente de estadual de Investigações Criminais, foi exonerado do cargo por suspeita de envolvimento com milícia  após ser encontrado por uma patrulha da Polícia Militar (PM) em estrada onde a organização criminosa operava, que seria investigada na Operação ‘Combate à Corrupção’. No momento, ele estaria acompanhado do advogado. O caso de Bardal está à disposição do Poder Judiciário.

Segundo as investigações, a intenção do grupo era desviar de R$ 1,5 milhão a R$ 2 milhões em uísque e cigarros. O recurso seria utilizado para financiar outras atividades criminosas, como a compra de armas, de drogas e a corrupção de policiais.

Sobre a operação

Na última quinta-feira (22), foram presos quatro policiais militares e outros sete suspeitos durante uma grande operação deflagrada na comunidade Arraial, no Quebra Pote (São Luís/MA). Participaram da ação o secretário de Segurança Pública do Estado do Maranhão, Jefferson Portela, e o comandante da Polícia Militar do Maranhão, Coronel Pereira.

Os policiais foram levados para o Comando Geral da Polícia Militar do Maranhão e os outros presos foram encaminhados para a Superintendência Estadual de Prevenção e Combate a Corrupção (SECCOR).

Posteriormente, nomes de outros envolvidos com o grupo criminoso foram divulgados. O secretário de Segurança do Estado do Maranhão, Jefferson Portela, confirmou então a suspeita de que o delegado Tiago Bardal teria envolvimento no caso e confirmou que foi solicitado o pedido de prisão preventiva do delegado Tiago Bardal, exonerado da Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic). Após a exoneração do delegado Tiago Bardal do cargo de superintendente da Seic, a Delegada de Polícia Civil Nilmar da Gama assumiu a vaga.

Outros oito suspeitos tiveram suas prisões preventivas decretadas em audiência de custódia realizada na tarde da última segunda-feira (26).

Ainda sobre a atuação da milícia, uma empresa privada localizada na comunidade Arraial está sendo autuada por crime ambiental.  De acordo com informações, no local houve supressão vegetal de manguezal para a construção de um porto de atracamento de embarcações, que seria utilizado pelo grupo para transporte de mercadorias contrabandeadas, que chegavam através de pequenos barcos e depois, já com os produtos, seguiam para um galpão localizado no bairro Vila Esperança.