Conheça 10 maranhenses negros que fizeram história

O Dia da Consciência Negra é celebrado nesta segunda-feira (20) e traz discussões sobre o combate à desigualdade racial e a celebração da cultura negra, símbolo de resistência, luta e diversidade em todo o Brasil.  A data, incluída em 2003 no calendário nacional, traz alusão à morte de Zumbi dos Palmares, o último líder do maior dos quilombos do período colonial, o Quilombo dos Palmares.

Comemorada há mais de 30 anos por ativistas do movimento negro, a data foi oficializada pela Lei 12.519 de 2011.

No Maranhão, segundo o historiador Alexandre Lustosa, a influência da cultura africana é notória em todos os aspectos do cotidiano.

“Desde a culinária até a arquitetura, os costumes, as vestimentas, o linguajar e às religiões, a cultura negra é fundamental na formação histórica do estado. A população é, em sua grande maioria, negra, e isso influencia diretamente nossos hábitos e costumes, nossas festividades e religiosidade. Não é possível falar dessa história sem mencionar a população negra no Maranhão”, destaca.

Para comemorar a data, o MA10 traz 10 personalidades negras importantes nascidas no Maranhão.

  • MARIA ARAGÃO

Maria José Camargo Aragão nasceu em São Luís, no dia 10 de fevereiro de 1910.  Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde dava aulas para conseguir a formação em Medicina pela Universidade do Brasil. Maria Aragão foi médica, professora, diretora do jornal Tribuna do Povo e fez história como líder do Partido Comunista do Brasil.

Ela iniciou sua carreira como pediatra, mas mudou sua especialização para ginecologista com o intuito de defender a valorização da saúde da mulher. Negra, Maria Aragão lutou contra o preconceito racial durante toda a vida.

Maria Aragão. FOTO: Reprodução/Internet
  • MARIA FIRMINA 

A primeira escritora negra da história do Brasil é maranhense. Um dos primeiros livros publicados por uma mulher no Brasil foi Úrsula, de sua autoria. Maria Firmina também reforçou sua posição antiescravista – já que ela ajudou a compor o hino da Abolição – em A Escrava, sendo ainda um ícone como a criadora da primeira escola mista e gratuita do estado do Maranhão. Neste ano, a célebre escritora foi homenageada na 11ª Feira do Livro de São Luís.

(FOTO: Reprodução)
  • NEGRO COSME

Cosme Bento das Chagas, o Negro Cosme, foi um importante líder de resistência contra o sistema escravagista. Negro Cosme lutou contra a imposição dos colonizadores e libertou cerca de 3 mil escravos. Cosme foi aprisionado no “Combate do Calabouço”, na região de Vitória do Mearim, e levado a São Luís, a 170 km para o norte. Em 17 de setembro de 1842, ele foi enforcado na antiga Praça da Cruz. Sua história de luta é celebrada dia 17 de setembro, data de sua morte.

(FOTO: Reprodução)
  • JOÃO DO VALE

João Batista do Vale foi um dos mais importantes músicos brasileiros. Filho de agricultores, João do Vale nasceu em Pedreiras no dia 11 de outubro de 1934.  Como muitos jovens pobres, auxiliava nas despesas da casa, vendendo balas, doces e bolos que a mãe fazia. Desde a adolescência, João escrevia lindas canções que logo se tornariam importantes na cultura popular. Muitos intérpretes da MPB gravaram canções escritas pelo compositor maranhense. Um dos grandes sucessos de João do Vale é a música “Carcará”, que ficou conhecida na voz da cantora Maria Bethânia.

  • JOÃO CHIADOR

Considerado um dos maiores ícones da cultura maranhense, símbolo do Bumba-meu-Boi, João Costa Reis – o João Chiador – foi amo do Boi da Maioba por 32 anos. Compositor, Chiador contribuiu para a criação de músicas clássicas da cultura junina do estado, foi compositor e poeta, e uma das vozes mais conhecidas dos arraiais do Maranhão.

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  • PAI EUCLIDES

Euclides Menezes Ferreira ou Pai Euclides Talabyian é o babalorixá fundador e responsável pela Casa Fanti Ashanti, uma casa de candomblé da nação Jeje-Nagô fundada em 1954, juntamente com Mãe Isabel, a casa está localizada no bairro do Cruzeiro do Anil, em São Luís. A casa Fanti-Ashanti atrai turistas, pesquisadores e religiosos do mundo inteiro, todos os anos, e é hoje uma das principais casa de Tambor de Mina, que se distingue do Candomblé baiano, do Xangô pernambucano, do batuque sulino e outras matrizes das religiões africanas.

  • ALCIONE

A ‘Marrom’, como é carinhosamente chamada em todo o Brasil, é uma das principais vozes brasileiras do samba. Nascida em São Luís em 1947, Alcione se mudou para o Rio de Janeiro para tentar a vida na música. A carreira da cantora decolou em todo o país, com sucessos regravados por outros artistas. Marrom se estabeleceu como referência no samba. Em  2018 a tradicional escola de samba Mocidade Alegre (SP), irá homenagear os 70 anos de vida e os 45 anos de carreira de Alcione, com o enredo “A Voz Marrom Que Não Deixa o Samba Morrer”.

  • IZIANE

Iziane Castro Marques cresceu no bairro da Liberdade, em São Luís, onde aprendeu os primeiros passos para se tornar uma grande atleta do basquete. Referência no esporte brasileiro, Iziane atuou em seis equipes da WNBA (liga feminina dos Estados Unidos) e também integrou clubes da Espanha, França, Polônia, República Tcheca, Turquia, Letônia e Rússia. Hoje, em São Luís, a atleta instalou o Instituto Iziane Castro, onde trabalha o esporte para que crianças da comunidade possam descobrir seus talentos e não se envolver no crime.

(FOTO: Reprodução)
  • PATATIVA

Irreverente, popular, talentosa, negra e maranhense, a sambista Patativa, hoje aos 79 anos, coleciona histórias de vida e letras que marcam a cultura do estado. Patativa cantou durante toda a vida nas ruas de São Luís, nos becos e bares, tornando-se símbolo dos batuques sobretudo na Madre-Deus. A artista completa só ganhou a gravação do primeiro CD em 2015, aos 77 anos, com um álbum produzido por Zeca Baleiro e com participações especiais de Zeca Pagodinho e Simone.

(FOTO: Reprodução)
  • MESTRE IRINEU

Raimundo Irineu Serra – o Mestre Irineu – é o fundador da famosa doutrina conhecida como Santo Daime. Irineu conheceu por intermédio dos povos originários da região, a bebida sagrada ayahuasca. Desenvolveu um estudo a partir desta bebida e foi fundador da doutrina espiritual do Santo Daime, que possui como sacramento a bebida ayahuasca, rebatizada por ele (Mestre Irineu) como Santo Daime. Sua doutrina (ensinamentos) é a junção da consagração da bebida sagrada, orações, cânticos (hinos) a diversas divindades e a busca pelo auto-conhecimento.