Reajuste no gás de cozinha preocupa comércio de Imperatriz

Os botijões de gás de cozinha de até 13 kg sofrerão um aumento médio de 9,8% no seu valor final. O reajuste dos valores entrará em vigor a partir das 0h desta terça-feira (21). Além do aumento das despesas domésticas, o reajuste tem consequências diretas sobre o trabalho de quem utiliza o gás de cozinha em sua fonte de renda, como é o caso dos pequenos restaurantes, lanchonetes e dos vendedores ambulantes de comida. Em Imperatriz, um grupo de trabalhadores que se sente particularmente prejudicado é o das vendedoras das tradicionais ‘paneladas’, prato típico da região.

Dona Francisca Lopes, vendedora de panelada há 23 anos no restaurante Quatro Bocas, afirma que o aumento do gás mexe no orçamento da banca, por isso esse valor acaba sendo repassado para os consumidores da panelada, provocando muitas reclamações. “A gente se vê sem saída, porque se o gás aumenta, é o jeito aumentar o preço final, mas o cliente não entende, e acaba diminuindo a freguesia”, lamenta Dona Francisca.

Já nas residências, ainda que em menor intensidade, a elevação no preço do botijão de gás deve atingir também o orçamento doméstico, pois, segundo a Agência Nacional do Petróleo, gás natural e Biocombustíveis (ANP) está presente em 96% das residências do país.

É o caso de dona Maria do Carmo Sousa. Segundo ela, esse aumento vai prejudicar principalmente as classes sociais menos favorecidas. “Não tem nem dois anos que o gás aumentou e agora já vai aumentar de novo. Tá ficando cada vez mais caro pro pobre se alimentar, porque o salário não aumenta de acordo com as coisas, muitas vezes temos que deixar de comprar outra coisa que queria, pra não ficar sem comer”, lamenta dona Do Carmo.

No entanto, a Petrobrás, responsável por praticamente 100% do gás de cozinha vendido no país, destaca que o aumento dos preços podem ou não chegar ao consumidor final, uma vez que a legislação vigente dá certa autonomia ao mercado de combustíveis e derivados: “Isso dependerá de repasses feitos especialmente por distribuidoras e revendedores,” ressalta a empresa, em nota. Ainda de acordo com a nota divulgada pela Petrobras, o ajuste foi aplicado sobre os preços praticados pela empresa sem a incidência de tributos.

O último reajuste feito pela Companhia foi de 15%, em setembro de 2015. A Petrobrás também reforçou que o reajuste não se aplica aos botijões de gás de uso industrial, ou seja, acima de 13Kg.