Calvície atinge 80% dos homens até 70 anos

Cerca de 80% dos homens até 70 anos irão sofrer com calvície, é o que afirma o especialista na saúde dos cabelos, doutor Pedro Veras, presidente da regional Nordeste da Sociedade Brasileira de Dermatologia Clinico Cirúrgica (SBDCC) e membro da Sociedade Brasileira do Cabelo (SBC). E o problema não é só masculino: a Alopécia Androgenética, disfunção hormonal que causa a queda de cabelos, também afeta 40% das mulheres.

A queda acontece na área central do topo da cabeça, que abrange a região fronto-temporal ao vértex. Isso ocorre pois o surgimento de cabelo na área é influenciado principalmente pelos hormônios sexuais masculinos, que quando estão desregulados, dão início a um processo chamada miniaturização do cabelo, caracterizada por um afinamento dos fios, que vão se tornando mais curtos e reduzidos em diâmetro, até que desaparecem.

Os tratamentos para a calvície, então, baseiam-se na evolução deste processo. “Quanto mais cedo for analisada a miniaturização, maior será a eficiência no tratamento”, afirma o especialista, que atualmente realiza no Maranhão as duas técnicas de implante capilar, FUE (Extração de Unidades Foliculares uma a uma) e FUT (Transplante de Unidades Foliculares). Ele diz que, em casos que passam por um diagnóstico cedo, uma área menor é submetida ao preenchimento durante o transplante. Diferente de casos onde a área calva é grande, no qual os fios transplantados precisam preencher uma área extensa, que acaba ficando com eventuais falhas.

Ele enfatiza que depois de caídos, não é possível “fazer o cabelo crescer novamente”. A técnica trabalha com a retirada de fios da outra área da cabeça, que abrange as laterais do cabelo, no qual os fios continuam crescendo, pois não é afetada pela condição. Os fios, então, são implantados na área atingida.

O doutor Pedro Veras esclarece que o cuidados com a saúde capilar  consistem em atenção constante. “Não adianta também apenas implantar e depois não voltar ao consultório, para os cuidados pós-operatórios”, diz. Ele afirma que, assim como outras áreas da saúde, é preciso agir preventivamente e ter consultas regulares. “Além da questão estética, o tratamento do cabelo está relacionado diretamente com a proteção do couro cabeludo contra os raios solares”, afirma.

Apesar do desregulamento hormonal ser a causa principal da calvície, ela também pode ser agravada por fatores externos, como deficiência vitamínica, perda de peso muito rápida e estresse (rotineiro ou pós-operatório). Por isso, alguns sinais colaboram para ações preventivas contra a progressão rápida da Alopécia Androgenética. São elas a recorrência de casos na família (até o 4º grau), o tempo de evolução do processo de miniaturização e o local de inserção dos fios.

Saúde dos fios

Existe um teste simples para analisar se há algum problema de saúde no cabelo: passe os dedos em uma mecha do cabelo, com os dedos se inserindo entre os fios, com intensidade mediana. Caso mais de cinco fios desprendam-se do couro cabeludo, é um sinal de que há problemas de saúde.

Doutor Pedro Veras

Tratamento

O médico trabalha com o implante capilar em São Luís, contando com centro cirúrgico específico para esse tipo de procedimento. Segundo ele, a medida é importante para garantir a qualidade da cirurgia, pois o local não está submetido ao risco de contaminação, por ser isolado. Outro ponto positivo é a autonomia do tempo, possibilitando ao médico a liberdade de fazer o procedimento com calma e eficiência.

Os tratamentos também não envolvem o uso de Finasterida, medicamento que causa queda nos hormônios masculinos, gerando perda de libido e outros sintomas. O médico afirma que a finasterida é responsável pelo mito do tratamento para calvície, que muitos homens evitam por pensarem que desenvolverão disfunção estéril.