“Prefeituras inadimplentes não vão conveniar com o Estado”, afirma Galdino

Diego Galdino é a terceira pessoa  a comandar a secretaria vinculada, a uma das áreas  que mais sofreu mudanças na gestão Flávio Dino . Oriundo da iniciativa privada ele enfrenta no comando da Secretaria de Estado da Cultura e Turismo(Sectur), a primeira experiência na área da gestão pública.

Antes dele, Felipe Camarão e Ester Marques também já estiveram no comando da pasta que em 2016 passou a reunir às áreas da Cultura e do Turismo. Nesta entrevista ao MA 10,  Galdino  fala sobre os procedimentos para a realização de convênios que viabilizam repasses às prefeituras para custear o Carnaval e destaca como uma das grandes novidades da festa em 2017 a presença de Zeca Baleiro no comando de um bloco que deve encerrar a folia de Momo em São Luís.
Uma das criticas contra a escolha do senhor para ocupar o comando da Sectur é atribuída a  sua falta de vivência no meio cultural do Estado. Como o senhor avalia estas criticas?

Eu considero esta crítica algo que não se sustenta quando se avalia a realidade do trabalho desenvolvido. Temos buscado construir uma gestão focada em atingir metas e resultados, os quais ao contrário da iniciativa privada, de onde venho, não possuem finalidades lucrativa. Porém, seja no setor privado, seja no setor público, creio que o compromisso em desenvolver um trabalho de gestão que busque a eficiência e boa prestação de serviços é fundamental. A diferença é que no setor privado, o que se busca são resultados e metas com finalidade financeira e no âmbito do setor público, realidade que tenho vivenciado desde que fui convidado a atuar no governo do Estado em 2015, nosso foco é a busca de metas e resultados cuja principal finalidade é a construção de políticas públicas voltadas para o interesse coletivo.
É importante destacar que no âmbito da gestão pública, temos vários exemplos de gestores que mesmo não sendo da área onde atuam conseguem fazer um bom trabalho. Por exemplo, para ser secretario de Saúde não é necessário ser médico. E assim ocorrem em outras áreas.

O que o senhor considera   o principal atrativo a ser apresentado pela Sectur para o carnaval de 2017?

Este ano vamos ter a participação do Zeca Baleiro para o fechamento do Carnaval. Ele vai comandar um bloco que a gente quer tornar  oficial do governo do Estado e fazer deste bloco uma marca  no carnaval maranhense para que todo o ano o turista saiba que na programação do nosso carnaval  a terá a presença do Zeca Baleiro. Assim como na Bahia, temos cantores reconhecidos nacionalmente e que são baianos participando do Carnaval de Salvador, com esta participação do Zeca Baleiro que vai comandar um bloco no encerramento do Carnaval deste ano, a gente  então reforça ainda mais o caráter diferenciado desta festa, que tem aspectos genuinamente maranhenses.

Também vamos manter a mesma política de incentivo a realização de eventos por toda a cidade de São Luís e nos demais municípios do Estado, por meio dos repasses e manteremos a proposta de um Carnaval  que prime principalmente por valorizar as peculiaridades da nossa cultura.

Em relação aos convênios com os municípios ,  o  Tribunal de Contas do Estado divulgou uma lista onde apenas 37 prefeituras aptas a fazer convênios com o Estado. Como a Sectur vai lidar com esta questão?

Hoje temos uma legislação que é bem clara em relação à questão dos repasses e então estas regras deixam bem detalhados os requisitos a serem atendidos para a realização de convênio voltados para os repasses às prefeitura.Portanto, as prefeituras inadimplentes não vão conveniar com o Estado. É uma questão que pretendemos sempre deixar bem claro em relação a necessidade de que os municípios que queiram conveniar estejam em situação regular.

Inclusive a legislação relacionada a esta questão nos impede inclusive de fazer convênio com associações. E vamos fazer o que sempre temos feito, seguir sempre a orientação legal relacionada a convênios

Uma das reclamações mais freqüentes  de quem trabalha, reside  e também de turistas que visitam o Centro Histórico é relativa ao abandono do local, que consideram esquecido pelo poder público. O que a Sectur tem feito e ainda pretende fazer para enfrentar esta situação?
 
É importante frisar que em relação a esta questão da situação dos  prédios que fazem parte do Centro Histórico, cabe ao Iphan(Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico) vinculado ao Ministério da Cultura,  a competência  prioritária para atuar neste questão. Também é preciso ressaltar que atualmente temos a maioria destes casarões do Centro Histórico de São Luis incluídos nas ações do PAC Cidades Históricas.

Claro que dentro da competência da Sectur temos buscado ações para enfrentar esta situações e vale observar que estes equipamentos culturais que administramos estavam há quase trinta anos sem receber qualquer tipo de reforma. O que temos feito neste sentido é priorizar a revitalização de algumas das Casas de Cultura e nosso objetivo é reformar todas as Casas de Cultura até 2018.

Além disto,   temos priorizado a realização de vários eventos no Centro Histórico e estamos também articulando a busca de parcerias público privadas que viabilizem recursos que devem ser empregados na recuperação e revitalização deste patrimônio de grande importância para o Estado.

O senhor comanda uma secretaria que resultou da fusão de duas pastas. Porém, a área da cultura fica no Centro Histórico e a do Turismo fica no Calhau. Como o senhor tem resolvido este desafio geográfico á frente da Sectur.

Nossa intenção é reunir o mais breve possível as duas pastas em um mesmo local. E a perspectiva é de que ainda este ano isto seja efetivado. Porém, é bom frisar a competência da equipe que atua nesta secretaria e que tem procurado fazer o melhor trabalho possível  e vale ressaltar, um trabalho feito com muita dedicação e focado na busca dos melhores resultados.
Temos um planejamento que sempre é seguido de forma rigorosa e embora exista por enquanto esta distância entre a área da Cultura que fica aqui no Centro Histórico e a do Turismo situada no Calhau, é uma questão que logo estará equacionada, pois nosso objetivo que nos próximos meses a gente possa  reunir todo mundo em um só prédio.

A área da cultura tem também um forte viés voltado para ações destinadas a promover a inclusão social. Como a Sectur tem atuado no sentido de levar ações culturais que alcancem regiões onde é rara a presença do poder público,?

Sabemos da importância das ações culturais, enquanto espaço de inclusão social. Por isto mesmo, buscamos pautar a frente da Sectur iniciativas como a valorização dos Mestres que desenvolvem um trabalho importante junto a comunidade onde atuam e tem grande potencial de despertar novas vocações. E isto tem sido feito em diversas regiões do Estado,
Agora e bom ressaltar que as ações da Cultura possuem um maior impacto no processo de inclusão social e de abertura de novas perspectivas para a juventude por exemplo, quando chegam acompanhadas com iniciativas de outros setores.
Em uma ação compartilhada com outras secretarias como a de Juventude e a de Esporte por exemplo é possível obter resultados muito mais amplos voltados para o oferecimento de novas perspectivas para a juventude maranhense e neste sentido a Sectur pretende construir parcerias com outros órgãos buscando levar não apenas ações culturais mas também outras iniciativas do poder público.